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A seguir uma sugestão de Retiro Quaresmal proposto pelo centro de Espiritualidade Inaciana de Itaicí

-SP. Aproveitemos o tempo de quaresma para rever nossa vida. Bom retiro!

Aerton

INTRODUÇÃO

1. O QUE É O RETIRO QUARESMAL?

Nos últimos seis anos, muitas pessoas conheceram o livreto: &quot¬¬Retiro

Quaresmal&quot¬¬, elaborado pelo CEI-Itaici. O roteiro oferece uma forma especial de fazer o

retiro em casa, no tempo da Quaresma, visando uma boa preparação para a Páscoa do Senhor. Poderia

também ser adaptado para outro tempo do Ano Litúrgico. Trata-se, realmente, de fazer na própria casa um

retiro que, normalmente, se faria em uma casa de retiros. Tem alguma semelhança com os chamados

Exercícios na Vida Cotidiana – EVC – baseados nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola.

Fundamentalmente, o Retiro Quaresmal é um caminho de oração, feito no dia-a-dia, por um determinado

tempo, baseando-se em exercícios de oração, sugeridos e elaborados neste livreto que ora

apresentamos.

Elementos básicos para fazer este Retiro Quaresmal são:

a. dedicar trinta (30) minutos à oração pessoal diária¬¬

b. rever esta oração durante alguns minutos¬¬

b. fazer, no final do dia, durante aproximadamente dez (10) minutos, a Oração de

Atenção Amorosa, como uma retrospectiva do dia que passou.

2. COMO ORGANIZAR-SE PARA O RETIRO QUARESMAL?

O &quot¬¬coração&quot¬¬ do Retiro Quaresmal é a dedicação de, pelo menos, trinta (30) minutos por

dia, para os exercícios sugeridos. É importante encontrar um tempo propício para estes exercícios

diários de oração. Isto pede muita fidelidade. Aprendemos dos mestres de oração como é importante dar

um tempo certo para a oração pessoal diária. Todos nós, hoje em dia, temos muito que fazer. Depende de

nós organizarmo-nos e convencermo-nos de que o tempo é a condição fundamental para a oração acontecer.

Assim escreve São Francisco de Sales: &quot¬¬É muito importante dar atenção a Deus, durante meia

hora diária¬¬ mas quando os afazeres são muitos, então é necessário destinar uma hora inteira para a

oração pessoal&quot¬¬.

O melhor tempo para a oração diária é aquele em que estou mais descansado, menos disperso e agitado

pelas preocupações do dia. Bom seria que fosse sempre à mesma hora. Se isto não for possível, faço um

plano semanal. Deveríamos mesmo agendar este tempo.

Terminado o tempo da oração pessoal, sou convidado a usar mais algum tempo para rever como foi a

oração, perguntando-me a mim mesmo: Saí-me bem? Por quê? Tive dificuldades, resistências? Recomenda-se

ter uma espécie de diário espiritual onde se anota aquilo que aconteceu de importante e significativo

durante a oração.

3. ROTEIRO PARA A ORAÇÃO DIÁRIA

Esquema como possível ajuda para os trinta minutos de oração diária.

a) Escolho a hora e o lugar mais apropriados para a oração.

b) Acolho a presença de Deus, saber que Ele me quer junto de si.

c) Peço a luz do Espírito Santo para que Ele me dirija e inspire.

d) No início de minha oração pessoal, rezo esta oração preparatória:

Aqui estou, meu Deus, diante de ti,

tal como sou agora.

Estou sentado diante de ti, Senhor,

tranquilo e pacificado.

Estou na tua presença e deixo-me conduzir.

Abro-me à tua proximidade.

Tu és a fonte da vida, a força da vida

que me penetra.

Tu és minha respiração que me carrega e dilata.

Deixa que a paz me habite.

Concede-me a graça de me deixar &quot¬¬limpar&quot¬¬ por ti,

ser uma concha que se enche de ti, meu Deus.

Que todos os meus pensamentos e sentimentos,

minha vontade e liberdade sejam orientados para o teu

serviço e louvor, meu Deus, fonte da vida. Assim seja!

e)Dois modos de orar os textos indicados:

1º – CONTEMPLAÇÃO EVANGELICA (se o texto for um fato bíblico ou um mistério da vida

de Cristo)

Como proceder?

· Recordo a história e uso a imaginação para entrar na cena evangélica.

· Procuro ver, contemplando cada pessoa da cena¬¬ dou um olhar demorado, sobretudo,

na pessoa de Jesus (se for o caso). Olho, sem querer explicar ou entender.

· Tento ouvir, prestando atenção às palavras ditas ou implícitas: o que podem

significar? E, se fossem dirigidas a mim…?

· Observo o que fazem as pessoas da cena. Elas têm nome, história, sofrimentos,

buscas, alegrias. Como reagem? Percebo os gestos, os sentimentos e atitudes, sobretudo, de Jesus?

· Participo ativamente da cena, deixando-me envolver por ela. Além de ver, ouvir,

tento apalpar e sentir o sabor das coisas que nela aparecem.

· E, refletindo, tiro proveito de tudo o que ocorreu durante a oração.

· Finalizo com uma despedida íntima de meu Deus, rezando um Pai-Nosso.

Saindo da oração, faço a minha revisão (cf 4).

2º – LEITURA ORANTE (se for um texto de ensinamento da Escritura)

· Leio o texto inteiro de uma vez¬¬ releio, devagar, versículo por versículo. Pergunto-

me: O que diz o texto em si?

· Paro onde Deus me fala interiormente, não tenho pressa, aprendo a saborear. Pergunto-me:

O que o texto diz para mim?

· Deus é Pai que nos ama muito mais do que poderíamos ser amados. Pergunto-me: O que

o texto me faz dizer a Deus? Podem ser louvores, pedidos, ação de graças, adoração,

silêncio…

· Vou acolhendo o que vier à mente, o que tocar o meu coração: desejos, luzes, apelos,

lembranças, inspirações.

· Pergunto-me: O que o texto e tudo o que aconteceu nesta oração me fazem saborear e

viver?

· Finalizo a oração com. uma despedida amorosa. Rezo um Pai-Nosso e uma Ave-

Maria.

· Saindo da oração, faço a minha revisão (cf.4 ).

4. REVISÃO DA ORAÇÃO

Terminada a oração, revejo brevemente como me saí nela, perguntando-me:

&#8213¬¬ que Palavra de Deus mais me tocou?

&#8213¬¬ que sentimento predominou?

&#8213¬¬ senti algum apelo, desejo, inspiração?

&#8213¬¬ tive alguma dificuldade ou resistência?

Anoto o que me pareceu mais significativo na forma de uma breve oração de súplica ou de

agradecimento.

N.B.: Este roteiro pode ser utilizado para a partilha da oração em grupo.

5. ORAÇÃO DE ATENÇÃO AMOROSA

Agora vamos procurar entender outro aspecto importante do Retiro Quaresmal, ou seja, a Oração de

Atenção Amorosa, que é um elemento profundamente enraizado na tradição espiritual da Igreja. Trata-se

do exame espiritual de consciência. Inácio de Loyola teve uma visão mais ampla deste exame, não apenas

vendo as falhas, mas lançando um olhar para todo o dia vivido, agradecendo, louvando e também pedindo

perdão pelas culpas e falhas acontecidas. Conclui-se confiantemente, colocando o futuro nas mãos de

Deus.

Para a Oração de Atenção Amorosa são necessários 10 a 15 minutos. Durante meu Retiro Quaresmal,

posso unir a Oração de Atenção Amorosa à minha oração da noite. Segue um esquema para este exercício no

quadro abaixo:

Preparação (externa e interior): Começo minha oração conscientemente: faço o sinal

da cruz, acolhendo a presença de Deus. Peço ao Senhor a graça de perceber, com atenção amorosa, o dia

que termina, vendo-o à sua luz.

1. Agradecimento

Agradeço a Deus por tudo que vivi neste dia. E se não acho nenhum motivo para agradecer, posso

pelo menos dizer obrigado, pela vida que me foi concedida gratuitamente.

2. Invocação ao Espírito Santo

Invoco o Espírito Santo, pedindo luz para discernir o uso que fiz de minha liberdade.

3. Um olhar sobre o dia que passou

Contemplo o dia que passou. Deixo passar diante de mim o dia todo ou coloco-me diante de alguns

acontecimentos. Não preciso avaliar ou julgar-me, porque a percepção da realidade de um dia vivido

antecede à avaliação. Encontro motivos para agradecer? Para me queixar? Permiti que Deus atuasse em

mim, sendo sinal de sua presença e amor para com os outros?

4. Pedido de perdão

Reconhecendo-me frágil e pecador, peço perdão ao Senhor por minhas faltas ou pelo bem que deixei

de fazer, não me deixando conduzir por seu Espírito.

5. Oração de conclusão

Confio ao Senhor o meu amanhã, experimentando a alegria de nele depositar a minha esperança.

Concluo com um Pai-Nosso.

6. ACOMPANHAMENTO NO RETIRO QUARESMAL

Além das orientações dadas, seria desejável um acompanhamento mais direto. Há duas

possibilidades:

1. Recomenda-se às pessoas que desejam fazer o retiro, a formarem grupos por

proximidade geográfica ou afetiva, sejam grupos já existentes, sejam grupos a se constituírem. O

objetivo é reunir-se, semanalmente de preferência, para a partilha das experiências.

2. Tanto quanto possível, os grupos sejam acompanhados por um orientador experiente

nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, auxiliado por outros acompanhantes idôneos que se disponham

a prestar este serviço pastoral.

7. O ESQUEMA DO LIVRETO DO RETIRO QUARESMAL

Cada uma das seis semanas do Retiro Quaresmal contém cinco exercícios de oração. O sexto dia da

semana destina-se para a chamada repetição. Trata-se de escolher o exercício da semana que mais me

tocou ou que foi mais difícil para mim. A repetição tem um papel muito importante nos Exercícios

Espirituais. Não raras vezes acontece que somente durante a repetição se consegue uma experiência de

oração mais profunda.

No que diz respeito ao conteúdo e método de oração, o presente itinerário procura incluir os mais

variados modos de orar: oração com a Sagrada Escritura, oração com imagens, oração a partir de uma

história ou fato, oração que parte da própria vida e suas experiências, orações orientadas, oração com

as próprias palavras ou mesmo sem palavras.

O título do Livreto inspira-se em Lc 9, 51 : SUBIR A JERUSALÉM &#8213¬¬ o caminho de

ascensão do discípulo-missionário &#8213¬¬. Este tema também se inspira no Documento de

Aparecida, cuja proposta se orienta no sentido da formação do discípulo-missionário.

Tratando-se de Retiro Quaresmal, os exercícios começam na Quarta-feira de Cinzas, com uma etapa

introdutória. Ela tem como título: &quot¬¬Preparar-se para Deus&quot¬¬ e deseja convidá-lo a

entrar conscientemente no caminho de oração dos Exercícios na Vida Diária e a dispor-se a uma atitude

orante.

Com o primeiro domingo da Quaresma, começa a 1ª semana do Retiro Quaresmal. Seguem-se os títulos das

seis semanas:

1ª semana: Todas as minhas fontes estão em ti!

2ª semana: Jesus vai ao Pai, conduzido pelo Espírito.

3ª semana: Jerusalém, quantas vezes quis reunir teus filhos!

4ª semana: Jesus passou na terra fazendo o bem e curando a todos.

5ª semana: A subida de Jesus com os discípulos para Jerusalém.

6ª semana: Era preciso sofrer tudo isto, para entrar na sua glória.

N.B.: Apesar de chamar-se Retiro Quaresmal, este texto poderá ser rezado em outro tempo do Ano

Litúrgico, com as devidas adaptações.

SEMANA INTRODUTÓRIA

(da Quarta-feira de Cinzas ao Primeiro Domingo da Quaresma)

Para Jerusalém

Você já deve estar perguntando o que tem a ver Jerusalém conosco. Trata-se do pano de fundo deste

Retiro Quaresmal, que poderá dar uma certa unidade à nossa caminhada. Você vai poder reconhecer com

certa surpresa que Jerusalém não lhe é desconhecida. Mais que um lugar geográfico, Jerusalém é para nós

um lugar simbólico.

Na Bíblia, desde o Antigo Testamento até o Apocalipse, Jerusalém ocupa um lugar central. Os quatro

evangelistas situam a vida de Jesus como uma caminhada para Jerusalém. Este quadro é ainda mais

explícito em Lucas, autor também dos Atos dos Apóstolos. Para Lucas, a vida de Jesus é uma

&quot¬¬subida&quot¬¬ para Jerusalém. Lá no alto da cidade, Jesus dará sua vida. E esta vida descerá ate

nós, levada pelos discípulos enviados como testemunhas, de Jerusalém à Judéia e Samaria e até os

confins da terra (At 1,8).

Jerusalém, lugar simbólico, é, ao mesmo tempo, meta e ponto de partida, projeto e desafio, lugar de

intimidade com Deus e lugar de rejeição, centro da vida do povo e centro da corrupção e exploração dos

poderosos.

Inácio de Loyola, convertido, peregrinou a Jerusalém e lá pretendia gastar todos os seus dias,

servindo a Deus no mesmo lugar geográfico onde o Senhor andara. Não lhe sendo permitido lá permanecer,

por causa da guerra entre turcos e cristãos, descobriu que a sua Jerusalém estava em outros lugares e

caminhos que a vontade do Pai lhe reservara.

Eu também, neste Retiro Quaresmal que estou iniciando, caminho com Jesus para a minha Jerusalém.

Como me situo diante dela? Quais os meus sentimentos? Com a saudade do exilado longe de Jerusalém? Com

a alegria de quem volta? Com confiança e coragem para a subida que começa?

Não me esquecerei de anotar no meu diário espiritual a minha situação inicial, para poder verificar

no final deste retiro: Para onde o Senhor quis me conduzir? A resposta não está pronta. Deixo-me

surpreender pelo Deus que me ama. Quem sabe se, qual outro discípulo de Emaús, Ele quer me conduzir de

uma situação de discípulo triste, que repete rotineiramente a mensagem, para a alegria contagiante de

quem experimentou em si uma vida nova? Ou então, fazer-me passar do conhecimento desfigurado e confuso

de um Tomé ou Pedro, para a amizade serena com o Senhor vivo e ressuscitado? Ou da ambigüidade de vida,

para a lucidez de um compromisso com o Deus que conduz o seu povo?

(cf Subindo para Jerusalém, de Manuel E. Iglesias, SJ, p 23-26, Ed Loyola)

Quarta-feira de Cinzas

Hoje eu começo

Hoje, quarta-feira de Cinzas, é dia que marca o início da Quaresma. Quaresma é tempo de mais oração,

de penitência e de fraternidade. E é também hoje que começamos o nosso Retiro Quaresmal, espaço em que

somos convidados a nos dedicar à oração da Palavra de Deus. Vamos percorrer o caminho de quarenta dias,

em clima de deserto e de silêncio, subindo o monte que é Cristo, com a única finalidade de encontrar-

nos com Ele que é a Palavra que se fez carne e habitou entre nós.

Oração pessoal:

Disponho-me agora para um momento de recolhimento. Se me proponho iniciar este caminho, preciso

criar em mim as disposições daquele que está no deserto, sem comunicação com os outros, sem telefone,

sem Internet. Posso me imaginar escalando uma montanha, levando o mínimo necessário, deixando todas as

preocupações do dia, a fim de dar este espaço de tempo para o encontro com Deus. Posso, neste início,

orar assim:

Senhor, tu me convidas a ir ao teu encontro,

a sair de mim com tudo aquilo que ora me rodeia e preocupa.

Tu me convidas, Senhor, a acolher a tua presença.

Sei, Senhor, que em ti encontro tudo o que preciso.

Em ti encontro muito mais do que poderia imaginar encontrar.

Levanto-me, pois, e ponho-me a caminhar para dentro do meu vazio, para meu deserto interior, árido,

necessitando de água e o ar puro da montanha.

Na tua presença contemplo-me, despindo-me, com tua graça, de toda a máscara e falsidade.

Sei que Tu, Senhor, já andaste por todos os compartimentos de minha vida.

Sei, Senhor, que lá onde Tu me esperas hoje e nestes quarenta dias, vai surgir vida nova. Assim

seja.

Posso cantarolar até pacificar-me inteiramente:

Indo e vindo, trevas e luz!

Tudo é graça, Deus me conduz.

Agora, vou me servir do Sl 24, 3-7, para continuar em prece confiante:

&quot¬¬Quem subirá até o monte do Senhor,

quem ficará em sua santa habitação?

Quem tem mãos puras e inocente coração,

quem não dirige sua mente para o crime,

nem jura falso para o dano de seu próximo.

Sobre este desce a bênção do Senhor

e a recompensa de seu Deus e Salvador.

É assim a geração dos que o procuram,

e do Deus de Israel buscam a face&quot¬¬.

&quot¬¬Ó portas, levantai vossos frontões!

Elevai-vos bem mais alto, antigas portas,

a fim de que o Rei da glória possa entrar!&quot¬¬

Vou percorrendo os versículos ou estrofes do salmo¬¬ paro e reflito onde me chama a atenção. Com

estes versos entro em contato com meu Deus de forma confiante, ora suplicando, ora entregando a Ele meu

desejo de fazer bem o retiro quaresmal.

No final deste primeiro tempo de oração pessoal, pergunto-me: Estou decidido a fazer este retiro? Já

tomei conhecimento das orientações dadas, constantes neste livreto?

Quem sabe, posso louvar o Senhor pela oportunidade que me é oferecida e pelas sábias lições sobre a

vida espiritual, que me serão dadas no decorrer das seis semanas. Termino rezando: Glória ao Pai, ao

Filho e ao Espírito Santo…

Quinta-feira depois de Cinzas

Subir a montanha

Preparo-me:

Tento hoje optar por meu &quot¬¬lugar de oração&quot¬¬. Faço dele um &quot¬¬oratório&quot¬¬. Posso

colocar nele as imagens de minha devoção. Faço o sinal da cruz e rezo novamente a oração inicial,

proposta para a Quarta-feira de Cinzas. Assim tomo consciência da presença de Deus que me espera como

um amigo pelo seu amigo.

Vou agora rezar com os seguintes textos:

Ex 34, 2-3 :

&quot¬¬Fica preparado de manh㬬 de madrugada subirás à montanha do Sinai e lá me esperarás, no cimo

da montanha. Ninguém subirá contigo, e não se verá ninguém em toda a montanha. Nem as ovelhas ou bois

pastarão diante da montanha&quot¬¬.

&#8213¬¬ E Deus diz a Moisés:

Subiras à montanha. A montanha era para os antigos o lugar do encontro com Deus.

E Deus diz para mim: Queres subir a montanha? E eu me pergunto: -Quero organizar-me, reservando

espaço para &quot¬¬subir&quot¬¬? Já determinei a hora, o lugar, o tempo de duração de minha oração

pessoal diária?

&#8213¬¬…e lá me esperarás.

Ficar à espera do Senhor… não posso comandar a sua vinda. Eu preciso desejar ardentemente que Ele

venha ao encontro de minhas necessidades, que venha ao meu deserto.

&#8213¬¬ Ninguém subirá contigo.

O estar a sós &#8213¬¬ Deus e a criatura &#8213¬¬ isto é, estar com Aquele que ama sua criatura é

uma exigência da oração, é uma exigência do amor.

Tento, agora, criar em mim o máximo silêncio¬¬ fecho os olhos e procuro escutar e acolher as

palavras que mais me tocaram interiormente.

&#8213¬¬ Nem as ovelhas ou bois pastarão diante da montanha.

Esta lição da Palavra me convida a entregar ao Senhor todas as preocupações que tenho a respeito de

meus pais, filhos, netos, meus negócios, as tarefas do presente dia. Rezo então confiando totalmente no

Senhor, na sua divina e amorosa Providência.

Gn 35, 3:

&quot¬¬Partamos e subamos a Betel. Aí farei um altar ao Deus que me ouviu quando eu estava na

angústia e me assistiu na viagem que fiz&quot¬¬.

&#8213¬¬ Que oferta estou disposto(a) a fazer no altar do Senhor, nesta quaresma?

É o momento de escutar a voz interior. É o momento da intimidade e do diálogo com meu Deus. Escuto e

respondo.

E vou finalizando este momento de oração, lembrando-me das palavras confortadoras de Gn 46,4:

&quot¬¬Eu descerei contigo ao Egito, e te farei voltar a subir…&quot¬¬ Renovo minha confiança e

esperança no Senhor que nunca se afasta de sua criatura. Rezo o Pai-Nosso.

Sexta-feira depois de Cinzas

Discernir caminhos

Preparo-me:

Vou criar em mim as disposições interiores e exteriores para minha oração pessoal. Dirijo-me ao meu

oratório. Rezo a mesma oração preparatória da quarta-feira de cinzas. Peço a graça ao Senhor que

fortaleça o meu coração para que assuma com coragem e perseverança a oportunidade do retiro.

Oração pessoal:

Hoje vou servir-me da passagem de Is 2, 3 para o momento do encontro com meu Deus.

&quot¬¬Dias virão em que o monte da casa de Deus será estabelecido no mais alto das montanhas e se

alçará acima de todos os outeiros. A ele acorrerão todas as nações, muitos povos virão dizendo:

&quot¬¬Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que ele nos instrua a respeito

de seus caminhos e assim andemos nas suas veredas&quot¬¬.

&#8213¬¬ Leio, pausadamente, o texto acima uma ou duas vezes.

&#8213¬¬ Reflito: A vida é de duplo movimento. O monte convida a subir e a descer. O monte é como um

farol, ilumina um vasto horizonte, ilumina o mundo, o meu mundo, o mundo da humanidade. É preciso então

descer com esta luz e suas orientações pra acertar o caminho.

&#8213¬¬ Subir a montanha é descortinar novos horizontes¬¬ é respirar ar mais puro, é vislumbrar

outras imagens, outras possibilidades e desejar mudança de vida¬¬ subir a montanha é sentir a

proximidade do Deus Criador que em Jesus faz &quot¬¬novas todas as coisas&quot¬¬.

&#8213¬¬ Deixo penetrar em mim a reflexão acima para que me leve a entender melhor o texto de

Isaías. Vou percorrer versículo por versículo e deixo-me instruir pelo Senhor. Como estão os caminhos

dos meus dias? Que obstáculos existem que impedem mudanças de direção? Que tipo de veredas Deus sonha

para mim e que veredas eu quero trilhar? Continuo na presença do Senhor ouvindo, refletindo,

entrando em diálogo com o Senhor.

Finalizo minha oração, prontificando-me a assumir as lições para o caminho de minha vida. Rezo o

Pai-nosso.

Sábado depois de Cinzas

Oração de Repetição

Amanhã celebraremos o primeiro domingo da Quaresma. Quaresma é o tempo de seis semanas em preparação

à Páscoa. Para o povo de Israel, a Páscoa recorda a libertação do Egito. Para os cristãos é também um

tempo de alegre expectativa de libertação de todo o mal: egoísmo, ódio, violência, consumismo e falta

de amor. É convite especial para a adesão ao Projeto de Deus, revelado pela sua Palavra. Assim o grupo

que assume o retiro quaresmal, vai encarar este tempo de devoção especial como tempo de mergulhar em

Deus, de conversão e de fraternidade.

Preparo-me:

Com a motivação acima, entro em profundo recolhimento. Vou me dirigindo ao meu oratório. Invoco o

Espírito Santo e rezo a oração preparatória indicada.

Leio Lc 4, 1-2: Jesus,pleno do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi conduzido pelo espírito

através do deserto…

Peço a graça do discernimento espiritual.

Diante do Senhor, vou me lembrando das alegrias e dificuldades que experimentei ao entrar no

deserto desta semana introdutória do retiro quaresmal. Releio as revisões das orações de cada dia,

preparando-me para partilhá-las no meu grupo de oração. Se ainda não foi organizado, procurarei fazê-

lo, antes de iniciar a primeira semana do retiro.

Convido Maria para ser minha Mestra na escuta da Palavra de seu Filho. Ave Maria…

PRIMEIRA SEMANA

TODAS AS MINHAS FONTES ESTÃO EM TI! (Sl 87)

Tema da semana: O objetivo principal de uma peregrinação à Terra Santa é viver uma

experiência de fé. Dizia São Jerônimo, que viveu grande parte de sua vida em uma gruta de Belém de

Judá, a um grupo de peregrinos: &quot¬¬É impossível contar quantos bispos e mártires subiram a

Jerusalém. Estavam convictos que faltaria algo à sua fé, julgavam não poder chegar à santidade, se não

adorassem a Cristo precisamente naqueles lugares de onde o Evangelho havia irradiado seu esplendor a

partir da Cruz, mais que em qualquer outra parte&quot¬¬. E explicando como deveriam viver sua

peregrinação, acrescentava: &quot¬¬Cantaremos infatigavelmente. Choraremos com frequência. A oração não

se interromperá e, feridos pelo amor ardente do Salvador, repetiremos em uníssono: encontrei Aquele que

minha alma busca, tê-lo-ei bem perto e já não me separarei dele&quot¬¬. Nesta primeira semana do

Retiro da Quaresma, cada um é convidado a ler a história de seu caminho à sua Jerusalém, às raízes

divinas de sua vida. O Salmo 87(86) nos lembra que Jerusalém, a cidade de Deus, vai-se tornar a capital

espiritual, mãe de todos os povos, figura da Igreja universal. Todo homem e todo batizado nela nasceu,

é cidadão com plenos direitos. Canto enquanto danço em ritmo cadenciado: &quot¬¬Todas as minhas fontes

estão em ti&quot¬¬ Sl 87,7.

Graça da Semana: Deus de amor, Pai bom e santo, em Ti estão as nossas fontes, a

nossa origem. No caminho da vida somos peregrinos e vamos para Ti. Ajuda-nos a não parar no meio do

caminho. Fortalecidos pelo teu Espírito possamos iniciar este tempo santo da quaresma e avançar no

caminho da fidelidade ao Evangelho, de serviço humilde aos irmãos e irmãs e no compromisso amoroso e

solidário com os pobres. Queremos, com a tua graça, acompanhar até o fim, teu Filho Jesus, na subida

pascal a Jerusalém.

1º dia

Que alegria quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!

O Sl 122(121) faz parte dos quinze salmos graduais, que os peregrinos cantavam enquanto subiam para

Jerusalém. Esta atração por Jerusalém, por nossas origens, continua hoje. Ao ser perguntado por que foi

morar em Jerusalém aos 75 anos, depois de ter sido arcebispo de Milão por mais de vinte, o cardeal

Carlo M. Martini respondeu: &quot¬¬Eu tive pela primeira vez o desejo de viver em Jerusalém aos dez

anos, quando um padre nos contou que Santo Inácio, logo após a sua conversão, quis ir a Jerusalém. Este

foi sempre o seu grande desejo. Por que não quis peregrinar a Santiago de Compostela ou a algum dos

grandes santuários de seu tempo? Ele queria ver as pegadas dos pés de Jesus. Também senti este desejo,

como Inácio. No caminho para Jerusalém, rezo os hinos de peregrinação, os salmos 120 a 134. Então digo,

de todo o coração: Que alegria quando me disseram: Vamos à casa do Senhor!&quot¬¬

Agora, procuro um lugar onde possa rezar com tranqüilidade. Acendo uma vela, coloco o crucifixo ou

uma imagem da Virgem para ajudar-me a criar um clima de oração, entrar em recolhimento e sentir-me na

presença de Deus. Dou-me conta de que se às vezes faço o sinal da cruz mecanicamente, hoje o faço bem

conscientemente e com muito respeito. Invoco o Espírito Santo e rezo a oração preparatória da

Introdução e peço a graça da 1ª semana, acima indicada.

Rezo hoje com o salmo 122(121), pelo 2º modo de orar inaciano, considerando cada versículo do salmo

e permanecendo nele enquanto me der luz e gosto espiritual. Uma vez saciado, passo para o versículo

seguinte, e ali permaneço enquanto encontrar sentido e consolação. E assim por diante, sem pressa de

passar adiante, mesmo que o tempo da oração se esgote sem chegar até o fim do salmo. Em outro momento

poderei completá-lo.

Que alegria quando me disseram:

vamos à casa do Senhor!

Por fim nossos passos se detêm

às tuas portas, Jerusalém!

Jerusalém, cidade bem edificada

num conjunto harmonioso¬¬

para lá sobem as tribos de Israel,

as tribos do Senhor,

para louvar, segundo a lei de Israel,

o nome do Senhor.

A sede da justiça lá está

e o trono de Davi.

Rogai que viva em paz Jerusalém

e em segurança os que te amam!

Que a paz habite dentro de teus muros,

tranquilidade em teus palácios!

Por amor a meus irmãos e meus amigos,

peço: a paz esteja em ti!

Pelo amor que tenho à casa do Senhor,

eu te desejo todo o bem!

Agora, me pergunto: Como estou me sentindo nos inícios deste retiro? Estou feliz por estar começando

este tempo de maior intimidade com Deus? Santo Agostinho nos diz que, &quot¬¬em meio à

multiplicidade das ocupações deste mundo, devemos aspirar a um único fim. Aspiramos porque estamos no

caminho e não na morada permanente¬¬ ainda em viagem e não na pátria definitiva¬¬ ainda no tempo do

desejo e não na posse plena. Mas devemos aspirar, sem preguiça e sem desânimo, a fim de um dia podermos

chegar ao fim&quot¬¬. Quais as minhas sedes, os meus desejos? Estou com sede das fontes divinas de

minha vida? E, assim, subindo à casa do Senhor, paro naqueles pontos que mais me tocaram e, com

eles, entro em oração, louvando, agradecendo, desejando estar na presença do Senhor. Não tenho pressa.

Este é o tempo reservado para mim e para meu Deus.

Termino o tempo da oração com o sinal da cruz ou uma profunda inclinação e, sentindo-me filho amado,

rezo a oração do Pai-Nosso. Revejo minha oração para ver como me saí. Anoto o que mais me tocou, no meu

diário espiritual. Pode ser em forma de súplica ou de ação de graças.

Lembro-me de que à noite farei a Oração de Atenção Amorosa

ou o Exame Espiritual de Consciência.

2º dia

Eu te edificarei uma casa! (2 Sm 7)

Vou para o meu lugar de oração, preparado como o meu pequeno santuário doméstico. Orar é estar na

presença do bom Deus. Imagino-o com os olhos da fé. Dou-me conta de meu estado de ânimo, das sensações

corporais. Entrego ao Senhor minha mente, meus problemas e tudo o que está me agitando. Faço silêncio

interior. Tento ouvir meu coração pulsar. Respiro lentamente para ouvir até os batimentos cardíacos. A

fim de ouvi-lo, afasto toda a ansiedade em que vivo. Coloco a mão sobre o meu coração e sinto bem

nitidamente as batidas.

Agora rezo a mesma oração preparatória do primeiro dia e peço a graça também ali indicada.

Hoje proponho orar a minha história, à luz da história de Davi. Posso simplesmente tomar o texto

indicado, 2Sm 7, e rezar com Davi, trazendo à memória do coração a minha história. Ou então imagino

Davi quando, depois de conquistar Jerusalém e reinar quarenta anos sobre Israel, às portas da morte,

deixa o testamento a seu filho Salomão. Como lhe contaria sua vida? Certamente com sentimentos de

gratidão, de contrição e de esperança, talvez lhe diria estas e outras palavras:

&quot¬¬Experimentei tudo o que acontece na vida de um homem: tive amigos¬¬ pequei¬¬ orei¬¬ compus

salmos a Deus¬¬ reconheci meus erros¬¬ tive respeito e fidelidade¬¬ fui ousado¬¬ perdoei.

Quando criança, tive que cuidar das ovelhas da família em Belém. Talvez tenha aprendido aí a coisa

mais importante de minha vida: proteger os fracos, conduzir os fortes, manter a todos unidos. Tive que

mostrar coragem. Quando o profeta Samuel veio visitar minha família, para escolher quem de nós seria o

novo rei de Israel, meu pai lhe apresentou seus oito filhos, menos eu, o caçula, que estava cuidando do

rebanho. Buscaram-me e acabei sendo escolhido para ser o novo rei de Israel. Uma decisão difícil diante

de tamanha responsabilidade. Mas Deus capacita aos que escolhe. Em breve me vi frente a frente com os

adversários filisteus. Não tive medo de enfrentar o invencível Golias, líder dos filisteus, e o venci

com a habilidade de um tiro de pedra. A partir deste momento, tive que lutar muitas vezes e mostrar

coragem.

Tornei-me servo do rei Saul a quem deveria suceder. O rei sofria de depressões e tratei de animá-lo

com o toque da cítara. Sabia compor poemas e músicas e, por isso, muitos salmos levam o meu nome. Pelo

rei tive que ir à guerra e tive sucesso, mais que o próprio rei. Isto fez com que todos me admirassem,

especialmente as mulheres. O rei, porém, sentiu a concorrência e teve ciúme. Contudo Jônatas, o filho

do rei, com quem fiz pacto de eterna amizade, salvou-me dos planos perversos de seu pai. Saul e Jônatas

morreram numa batalha. Chorei por eles. Fui feito rei e conquistei Jerusalém, transformando-a na minha

cidade. Libertei das mãos do inimigo o Santo dos Santos, a Arca da Aliança, que trouxe a Jerusalém

dançando de alegria. Agora todo o poder estava em minhas mãos. Certo dia, vi uma bela mulher no jardim

do vizinho. Desejei-a e por isso mandei seu marido para a guerra, num posto em que certamente morreria.

Dito e feito. Tomei então Betsabé como minha mulher. Em breve ela deu à luz um filho, que morreu ainda

bebê. Fiquei inconsolável. No luto tomei consciência de meu pecado e de minha injustiça. Orei:

&quot¬¬Cria em mim, Deus, um coração puro, renova-me por dentro com espírito firme&quot¬¬ Sl 51,12. Com

sua mãe tive um segundo filho, você Salomão, que vai se tornar mais poderoso e famoso que eu. Soube

unir grandes impérios e construí em Jerusalém o primeiro altar a Deus. Mas quando quis construir uma

casa para o Senhor, Ele me disse: &quot¬¬Eu te edificarei uma casa!&quot¬¬, e será teu filho que haverá

de construir uma casa para meu Nome e estabelecerei o teu trono para sempre.

Apesar de tantos sucessos externos, sofri duros golpes em minha família e em meu povo. Meu filho,

Absalão, levantou-se contra mim e me derrubou do trono. Tive que fugir, tornando-me objeto de zombaria.

Deus me deu forças para suportar a humilhação e não me defender pessoalmente.

Assumi minhas próprias culpas e me converti. Mais que isto: aprendi com meus erros e derrotas. O que

mais agradeço ao Senhor é o de ter-me dado coragem, não tanto nos sucessos e vitórias, como em suportar

as dificuldades da vida, inimizades e traições, derrotas e humilhações. Lutei sem olhar as feridas e

dei minha vida pela missão que Deus me confiou. Espero, filho, que o exemplo de minha vida lhe dê

coragem para a missão que tem agora a cumprir&quot¬¬.

Agora, coloco-me em total silêncio diante do Senhor para experimentar a sua proximidade e bondade ao

longo de toda a história de minha vida, como na de Davi. Não posso não estar em sua presença, pois tudo

é dele. Acolho-me, neste silêncio, a fim de amar-me a mim mesmo tal como sou. Experimento-me com minhas

qualidades e meus limites, acreditando que o Senhor me aceita e me ama tal como fui, sou e poderei ser

com a sua graça. Lembro-me da palavra de Paulo: &quot¬¬E nós sabemos que Deus coopera em tudo para o

bem daqueles que O amam, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio&quot¬¬ (Rm 8, 28). Permaneço

neste silêncio, quietude diante do Deus-amor, e vou lhe bendizendo e agradecendo por sua presença

em minha vida. Como me sinto diante de tantas maravilhas de amor de nosso Deus? Acredito nele? Senti

algum apelo para corresponder a este amor?

Termino este meu tempo de oração pessoal, repetindo ou cantando o refrão da Ir. Miriam, na missa por

Dom Luciano: Deus é bom, Deus é Pai, Deus é santo, Deus é amor (bis).

Revejo e anoto o que foi significativo neste encontro com o Senhor.

3º dia

E a Palavra se fez carne e armou a sua tenda entre nós (Lc 1, 26-38)

Encontro-me, novamente, no meu lugar de oração. Renovo meu ato de fé no amor de Deus que saboreei

ontem, na história de Davi e na minha história. &quot¬¬Eu creio que Deus me ama&quot¬¬. Apesar das mil

contradições, conflitos e injustiças que existem no mundo e na minha vida, Deus me ama a mim e a todas

as pessoas. Existimos porque Ele quis.

É preciso, porém, permitir-me tempo e espaço para, no silêncio profundo, deixar envolver-me pelo

mistério de Deus, pelo mistério de sua comunicação com a criatura amada que sou. O retiro quaresmal dá

a todos esta oportunidade de orar diferente.

Hoje o tema da oração é simplesmente contemplar o convite que o Senhor faz à Virgem Maria de aceitar

a realização plena de sua promessa a Davi de lhe edificar uma casa, através de um descendente que

reinará na casa de Jacó para sempre e cujo reinado não terá fim. E a resposta de Maria, cujo sim

acolheu &quot¬¬a Palavra que se fez carne e armou sua tenda entre nós&quot¬¬(Jo 1,14).Rezo a oração

preparatória e peço a graça de que a vontade de Deus se torne realidade também em minha vida.

Transporto-me em imaginação para a casa de Maria em Nazaré da Galiléia, e recordo a história através

do texto bíblico acima indicado. A cena, muito bem descrita pelo evangelista Lucas, está animada por

personagens terrestres (Jacó, Davi, José, Maria, Isabel e João Batista) e celestes (Gabriel, o Senhor,

o Pai, o Filho do Altíssimo e o Espírito Santo). Alguns personagens pertencem ao Antigo Testamento e

outros, aos inícios da história do Evangelho. Este texto, portanto, constitui uma síntese de toda a

história da salvação, uma síntese marcada por duas características fundamentais:

A primeira é o sim das pessoas a Deus: o sim de Jacó, que parte para uma aventura

desconhecida¬¬ o sim de Davi, que se deixa conduzir pela força de Deus ao começar seu combate com

Golias¬¬ o sim a Deus, de José, que não sabe o que lhe sucederá, mas aceita o que o Senhor dispôs e o

sim de Maria, que resume todos os sins da humanidade a Deus, e condensa todas as atitudes do ser humano

que acolhe o mistério do Pai revelado no Filho pelo poder do Espírito. Eu também sou convidado a dar a

minha adesão à vontade de Deus, junto com toda a humanidade, pedindo a Maria que seu sim sustente o meu

e que o meu sim propague o seu por todos os confins da terra.

A segunda característica é o sim dos personagens celestes, um sim que representa o sim de Deus à

humanidade, seu querer ser Deus conosco para sempre, com uma fidelidade inquebrantável, em todas as

civilizações e culturas, em qualquer momento da história. Esta cena evangélica proclama o centro da

história humana, o sinal de que a história se dirige para Deus, o fato de que a humanidade é amada por

Deus e proclama também nosso propósito, como cidadãos do Reino, que queremos responder a Deus como e

com Maria.

Reflito para tirar algum proveito: Que significa dar o meu sim com Maria? Em primeiro lugar devo

responder com minha vida, com meu projeto de existência. Que significa para mim dizer sim a Deus,

deixar-me invadir pela força do Espírito Santo, gerar dentro de mim na fé ao próprio Filho de Deus,

permitir que o Senhor edifique em mim sua casa, sua morada?

A força da consagração de Deus ao ser humano, desde o dia em que Maria pronunciou seu sim, não

diminuiu, é idêntica e a revivo cada vez que acolho livremente e por amor o poder de sua Palavra em

minha vida.

Agora deixo ressoar em meu coração tudo que hoje me foi proposto. Simplesmente, deixo que palavras,

pensamentos, idéias que surgiram me ensinem, me mostrem, quem sabe, outro caminho, outra compreensão de

minha fé e do mistério de Deus. Ficar em silêncio, ouvir, dispor-me à sua vontade, deixar-me amar é

oração. Falo com Deus sobre tudo aquilo que cheguei a compreender neste momento.

Aos poucos, vou finalizando minha oração. O que ficou marcado como lição de vida? Anoto-o. Rezo uma

Ave Maria ou o Ângelus.

4º dia

Luz para as nações e glória de teu povo (Lc 2, 22-38)

Agora é o meu tempo de oração. Estou presente a mim mesmo com meus pensamentos e sentimentos. Tento

parar em cada parte do corpo por alguns segundos: sinto o couro cabeludo, a testa, as sobrancelhas, o

nariz, os lábios, o pescoço, ombros, peito, tronco, braços, mãos, pernas e pés. Tomo agora consciência

do corpo como um todo. Sou obra das mãos do Criador e ele me sustenta no seu ato criador.

Rezo a oração preparatória e peço a graça da semana. Hoje quero contemplar o mistério da

apresentação de Jesus no Templo. Recordo a história, lendo o trecho de Lucas 2, 22-38 ou o texto que se

segue uma ou duas vezes. Deixo os textos e fecho suavemente os olhos e me imagino subindo para

Jerusalém com José, Maria e Jesus recém-nascido. O primeiro clarão que anuncia o sol a despontar afasta

as trevas da noite e ilumina o caminho. É a primeira vez que Jesus sobe a Jerusalém, carregado no colo

maternal de Maria e nos braços fortes de José. Quantos já o tinham feito anteriormente, como Davi

dançando diante da Arca da Aliança. Quantos peregrinos, desconhecidos ou famosos, tais como Paulo de

Tarso, Santa Helena, Inácio de Loyola, Paulo VI o fizeram depois. Vou subindo com eles cantando algum

cântico de subida, como o Sl 122 (121): Que alegria quando me disseram: Vamos à casa do Senhor! Já

estamos em Betânia, depois de Betfagé. De repente, do cume do Monte das Oliveiras, Jerusalém! E

brilhando na esplanada, o Templo! Com a Sagrada Família, para lá me dirijo, meditando o Sl 84: Minha

alma desfalece de saudades e anseia pelos átrios do Senhor! Meu coração e minha carne rejubilam e

exultam de alegria no Deus vivo! Felizes os que habitam vossa casa, para sempre haverão de vos louvar!

Felizes os que em vós tem sua força, quando decidem partir quais peregrinos!

Vejo o justo e piedoso Simeão que vivia em Jerusalém, chegando ao Templo e quando os pais trouxeram

o Menino Jesus para cumprir as prescrições da Lei, movido pelo Espírito, ele o tomou nos braços e

bendisse a Deus, dizendo:

Deixai, agora, vosso servo ir em paz,

conforme prometestes, ó Senhor.

Pois meus olhos viram vossa Salvação

que preparaste ante a face de todos os povos:

Luz para iluminar as nações

e Glória de Israel, o vosso povo.

E dirigindo-se a Maria, profetizou: Eis que este Menino foi posto para a queda e elevação de muitos

em Israel, como um sinal de contradição e a ti, uma espada transpassará tua alma, para que se revelem

os pensamentos íntimos de muitos corações.

A idosa profetisa Ana também se aproximou, agradecia a Deus e falava do Menino a todos que esperavam

a libertação de Jerusalém.

Com seus pais eu me admiro de tudo que se fala do Menino Jesus. Com o velho Simeão, louvo ao Pai que

nos revela o Salvador, Luz das nações e Glória de Israel. Com Maria, acolho com profunda reverência a

misteriosa profecia do sofrimento do Messias e dela. Com Ana, agradeço ao Senhor e anuncio a todos a

vinda do Messias. Com Jesus, fico em silêncio e me ofereço a Deus para servi-lo em meus irmãos e

irmãs.

Finalizo, saboreando com Maria cada palavra que se diz do Menino Jesus: primogênito… Cristo do

Senhor… salvação… luz das nações… glória de Israel… sinal de contradição… libertador. Dou

glórias à Trindade e também me ofereço a Deus com Jesus pela salvação da humanidade.

Faço a revisão da oração e anoto o que mais me tocou.

5º dia

Estar na casa do Pai (Lc 2, 41-52)

Hoje preparo-me para contemplar Jesus aos 12 anos que sobe com seus pais a Jerusalém, pela primeira

vez depois de celebrar a festa de sua maioridade. Procuro me acalmar, colocando-me na presença de Deus

em profunda adoração. Recordo a história que vou contemplar, lendo Lc 2, 41-52 uma ou duas vezes. Peço

a graça da semana e, neste dia, a de acompanhar Jesus até Jerusalém e, sobretudo, ao Templo.

Uso a imaginação para entrar no cenário do Evangelho. Coloco um olhar demorado sobre Jesus,

prestando atenção às suas palavras, gestos, sentimentos, atitudes, ao seu modo de viver em relação ao

Pai e à Maria e José. Paro sobre a cena, sem querer explicar ou entender. Apenas me deixo contagiar por

ela. Vivo ao lado do Senhor, deixando que Ele penetre as profundezas do meu ser.

Observo as outras pessoas: Maria, José, os peregrinos e entre estes os parentes, os jovens e as

crianças, os doutores e o povo da cidade. Cada qual têm nome, história, sofrimentos, buscas. Homens e

mulheres que participam da aventura humana como eu. Como reagem diante do Senhor? O que fazem? Ouço o

que dizem: o que significam estas palavras? E se fossem dirigidas a mim?

Participo deste cenário por meio da imaginação e da fé, como se presente estivesse, deixando que a

Palavra transforme a minha vida. Subo com os peregrinos, cantando: Que alegria quando me disseram:

vamos à casa do Senhor! Vibro com a exultação de Jesus ao entrar na cidade de Davi, a sua cidade,

onde mais tarde ingressará aclamado pelo povo. Ouço as aclamações: Aleluia, bendito aquele que vem em

nome do Senhor! E rejubilo-me com seu êxtase, ao penetrar no Templo, a sua casa, para estar junto

de seu Pai. Sofro com a aflição de José e Maria pela perda do filho adolescente e me alegro quando o

reencontram sentado entre os doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Medito interiormente sua resposta

aos pais aflitos, sem ainda, como eles, compreendê-la totalmente: Por que me procuráveis? Não sabíeis

que devo estar na casa de meu Pai? E desço com eles para Nazaré, onde Jesus, obediente, crescia em

sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.

Não procuro tirar mensagens. Saboreio intimamente o mistério deste acontecimento no coração. Vivo

este momento sem pressa, pois mais do que um método de oração, a contemplação é uma maneira de estar

com o Senhor.

Em seguida, reflito sobre mim mesmo para tirar algum proveito. Tomo consciência do que a

contemplação provocou em mim, do que o encontro com o Senhor imprimiu no meu coração e o aplico à minha

vida concreta, ao meu cotidiano, às minhas relações com as pessoas e as coisas.

Pergunto-me: Percebi que o segredo de Jesus é estar junto do Pai, na casa do Pai, na

vontade do Pai? Que diante do absoluto deste Amor, tudo o mais se relativiza, mesmo as pessoas mais

sagradas e as coisas mais preciosas?

Vou concluindo a contemplação com um colóquio amoroso com o Senhor, conversando com Ele como um

amigo fala com outro amigo, louvando, agradecendo, pedindo e silenciando para ouvir a resposta do

Senhor. Como de costume, posso terminar a oração com um Pai-Nosso, insistindo na invocação: seja

feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.

Revejo minha oração e registro a experiência no meu diário espiritual.

6º dia

Oração de repetição

A oração de cada sábado consiste no exercício chamado de Repetição. Trata-se de aprofundar aquilo

que rezei durante a semana. Santo Inácio diz: &quot¬¬Não é o muito saber que satisfaz a pessoa, mas o

sentir e saborear as coisas internamente&quot¬¬ [EE 2]. Por isso não é apresentada uma nova matéria de

oração para este dia. Faço, pois, a oração a partir do texto ou moção que mais me consolou ou que mais

me desolou na semana que passou. Faço-o como nos outros dias, iniciando com a oração preparatória e

pedindo a graça da semana. Depois sirvo-me do texto mais significativo da semana e termino como nos

demais dias.

Faço também uma avaliação da minha primeira semana de retiro quaresmal, e me preparo para o que

poderia ser minha conversa no grupo de partilha e, se for o caso, com meu acompanhante espiritual.

Podemos iniciar o grupo de partilha, rezando Salmo 121(120):

Canção para as subidas

Levanto meus olhos para os montes, de onde virá o meu socorro?

O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra.

Não deixará teu pé vacilar, teu guardião jamais dormirá!

Sim, não dorme nem cochila o guarda de Israel.

O Senhor é teu guarda, uma sombra protetora à tua direita.

Não vai ferir-te o sol durante o dia, nem a lua de noite.

O Senhor te guardará de todo o mal, ele mesmo vai cuidar da tua vida.

Deus te guarda na partida e na chegada, desde agora e para sempre.

SEGUNDA SEMANA

Jesus vai ao Pai, conduzido pelo Espírito.

Tema: Nesta segunda semana de ascensão do discípulo-missionário, somos convidados a

acompanhar Jesus que toma consciência de que é conduzido pelo Espírito. É isto que o impele a estar em

constante movimento. Descentrado de si, Ele vive para os outros. Este também é o caminho do discípulo

que se dispõe a sair de si e ser conduzido pelo Espírito diante da necessidade do outro.

Graça da Semana:

Dai-nos Senhor um ouvido e coração de discípulo para que, acolhendo as inspirações do Espírito,

sejamos dóceis e disponíveis aos seus apelos.

1º dia

Enquanto Jesus orava, o céu se abriu (Lc 3, 21-22)

O céu se abriu! O céu havia se fechado. A comunicação havia cessado. A vinda do Espírito sobre Jesus

inaugura tempos novos. Reabre-se a comunicação entre o céu e a terra, Deus com a humanidade. E o ponto

de partida é o batismo de Jesus.

O batismo de Jesus foi uma experiência fundante. A partir dele Jesus aparece publicamente e inserido

no meio de seu povo. A experiência de ser batizado foi fundamental para o exercício de seu ministério.

O Espírito o revela como o Messias de Deus. Ele se sente possuído pelo Espírito de Deus. Ele se

manifesta como rei messiânico que tem diante de si uma missão confiada pelo Pai e a desempenhará

mediante a força do mesmo Espírito. Ele é o Profeta dos tempos novos cuja marca será a presença do dom

do Espírito. Durante o batismo, o céu se abriu e uma voz se ouviu: Tu és o meu Filho. O Espírito

que desce em forma de pomba paira sobre o Filho amado e permanecerá com Ele.

Pode ajudar a entrar no clima de oração cantar ou rezar este refrão:

O meu Espírito conduz

quem ouve a voz do Filho meu.

Aleluia, aleluia, aleluia! Bis//

Ter presente três aspectos para mais saborear este texto:

O batismo do povo e o batismo de Jesus: O que o povo estava buscando com o batismo? Que

anseios o levava até o Jordão para o encontro com o Batista? Ao entrar na fila dos pecadores, como

penitente, Jesus se associa e se solidariza com eles.

O céu se abriu: Quando o céu se abre significa que o Senhor tem algo a revelar à

humanidade. Qual é a boa notícia que Deus quer comunicar aos seus mediante a pessoa de seu Filho?

Tu és o meu Filho: Com o batismo Jesus se insere no meio de seu povo como enviado do Pai.

Sua missão é um convite a sermos filhos com Ele e Nele. Jesus é acolhido como Filho amado. Que

importância tenho dado à minha vocação de batizado? Tenho me configurado mais à pessoa de Jesus?

Colóquio: A partir dos sentimentos experimentados converso com o Senhor. Falo com liberdade

e transparência como se fala a um grande amigo no qual se confia muito. Deus é o nosso amigo e nos

acolherá com paternal atenção.

Faço a revisão da oração e anoto o que foi mais importante.

2º dia

Jesus deixou-se levar ao deserto pelo Espírito (Lc 4, 1-13)

Jesus, servo do Pai, é conduzido pelo Espírito para o deserto. Inteiramente disponível nas mãos do

Pai, passará pela provação, uma constante em seu ministério. No deserto é tentado pelo diabo, mas Ele

não está sozinho, pois, cheio do Espírito, sairá ileso das tentações. Não se deixará conduzir pelas

próprias intuições, mas pelo Espírito. Está vazio de si mesmo e pleno de Deus. No deserto se depara com

outro projeto, diferente do proposto pelo Pai, aparentemente mais atraente, mais sedutor, mais fácil,

talvez. Mas está consciente do verdadeiro projeto e do quanto este dependerá dele. Consegue distinguir

desde cedo a diferença entre o projeto de Deus e os projetos meramente humanos, aos quais, muitas

vezes, subjazem sugestões do &quot¬¬inimigo da natureza humana&quot¬¬.

Ter presente que a proposta do mal não é má em si. É uma proposta que nos desafia,

questiona e coloca em cheque nossos valores. Assim como mexeu com Jesus, mexe conosco¬¬

Ter presente minha convicção diante da missão e dos projetos que Deus me confia. Jesus

estava convicto de sua missão. Por isso não se deixará levar pelas propostas do diabo¬¬

Ter presente que estas não foram as únicas tentações de Jesus. Mas Ele nunca deixou de

vencê-las, pois o Espírito estava com Ele. Tentar é a arte usada pelo &quot¬¬inimigo da natureza

humana&quot¬¬ para trazer para seu lado o cristão que busca crescer na intimidade com Deus. Ceder ou

não, depende sempre das convicções que fundamentam nossa fé.

Deixemo-nos interpelar pelo texto, subindo com Jesus ao monte da tentação no deserto.

Colóquio: Converso com Jesus que foi conduzido pelo Espírito ao deserto e que, dada sua

convicção frente ao projeto do Pai, não se deixou sucumbir ao poder da tentação.

Faço a revisão da oração e anoto o que foi mais importante.

3º dia

O Espírito do Senhor repousa sobre mim (Lc 4, 14-30)

&quot¬¬Impulsionado pelo Espírito, Jesus voltou à Galiléia&quot¬¬. Esta é a certeza da qual nunca

abriu mão. Tendo vencido as tentações, agora Ele está iniciando sua atividade missionária. Está

consciente de que tudo o que fará será movido pelo Espírito, porém não tardam as primeiras provações em

relação à sua missão. A prova agora será a de ser aceito ou não entre os seus conterrâneos de Nazaré.

Ali estão seus discípulos, e certamente Maria e sua família. Será Ele reconhecido como profeta? Em sua

pregação na sinagoga, resume o que será o programa de sua vida e de seu ministério. Suas palavras

provocam divisão na assembléia entre os que acreditam e os que o rejeitam, não vendo nele mais que um

nazareno qualquer. Porém elas atingem aqueles para os quais veio preferencialmente, os mais pobres e

oprimidos de todas as formas. Do mesmo modo que em sua pregação lança base do que será sua missão,

também a rejeição marca a atitude com que muitos se oporão a sua pessoa e ao seu ministério. Mesmo em

meio à rejeição, Jesus segue seu caminho, pois é um homem livre e está seguro do para que veio. É

conduzido pelo Espírito e não por impulsos humanos.

Para sua oração sugerimos que você faça uma leitura deste cântico, buscando sobretudo trazer para

sua vida esta letra:

O Espírito do Senhor repousa sobre mim

O Espírito do Senhor me escolheu, me enviou:/

Para dilatar o seu Reino entre as nações,

para anunciar a boa nova a seus pobres.

Para proclamar a alegria e a paz,

exulto de alegria em Deus, meu Salvador.

Para dilatar o seu Reino entre as nações,

consolar os corações esmagados pela dor.

Para proclamar sua graça e salvação,

acolher quem sofre e chora, sem apoio e sem consolo.

Para dilatar o seu Reino entre as nações,

para anunciar libertação e salvação.

Para anunciar seu amor e seu perdão,

para celebrar a sua glória entre os povos.

Acrescente outras situações para as quais você sente

que o Espírito te envia, …

Colóquio: Confiante na graça e força do Espírito que repousou sobre Jesus e o

ajudou a permanecer fiel à missão confiada pelo Pai, converso com Ele a partir dos sentimentos

experimentados.

Faço a revisão da oração e anoto o que foi mais importante.

4º dia

Senhor, ensina-nos a orar (Lc 11, 1-13)

A vida cristã é marcada por relações, principalmente pela relação com Jesus na oração. Uma vez em

comunhão com Ele, Ele nos conduz ao Pai. Ele estava sempre alimentando sua relação com o Pai na oração.

Esta atitude constante foi percebida pelos discípulos que passam a desejar também conversar com o Pai.

Interpelado pelos seus, Jesus lhes ensina que, para orar ao Pai, são necessárias poucas palavras e

colocar-se diante dele com toda a simplicidade, apresentando-lhe as necessidades mais profundas. E, ao

mesmo tempo em deseja ser atendido, comprometer-se também a viver como irmão dos outros. Basicamente a

Oração do Senhor nos convida a olharmos a Deus como Pai e aos outros como verdadeiros irmãos e

irmãs.

Vamos agora ao texto do evangelho. Numa primeira leitura, com atenção e sem pressa, procuro destacar

as petições desta oração. Depois, lanço um olhar demorado sobre cada uma delas e no compromisso a

assumir diante delas.

Pode-se usar o seguinte esquema:

Reconhecimento: Pai nosso… Santificação do nome de Deus…

Pedidos: Venha a nós o vosso reino…

Seja feita a vossa vontade, na terra e no céu…

Pão para cada dia…

Perdoai-nos…

Não permitais que caiamos nas tentações (lembre-se da oração do segundo dia: Jesus também foi

tentado…)

Livrai-nos do mal!

Nosso compromisso: perdoar, como o Pai nos perdoa, aos que nos ofenderam…

Colóquio: considerar que se trata de uma oração afetiva e que tem como pano de fundo o

tripé de nossas relações: Eu, o Pai e o outro.

A partir do que experimentei na oração, peço ao Filho que interceda por mim junto ao Pai que me ama

e me convida a viver verdadeiramente como filho, no Filho e com os outros.

Faço a revisão da oração e anoto o que foi mais importante.

5º dia

Jesus subiu a montanha para orar e escolheu os Doze (Lc 6, 12-16)

Novamente a oração de hoje nos apresenta um Jesus orante. Subir à montanha é sinal de disposição,

de sair de si. Montanha é um dos lugares privilegiados para se encontrar com o Senhor, segundo a

tradição de Israel e também no Novo Testamento. Ele deixa as massas para estar a sós, quando muito com

dois ou três. Aqui sozinho toma distância dos fatos para melhor percebê-los. Tem um discernimento a

fazer, diante de uma missão muito importante que tem pela frente. Trata-se da escolha de um grupo que

irá exercitar, para implantar com Ele o Reino de Deus. Sua atitude orante é um convite a que se tenha

presente que o colocar-se diante de Deus, antes de uma tomada de decisão, pode correr menor risco de

cair no erro. Em se tratando da busca da vontade de Deus para a vida, nada mais coerente que esta seja

feita sempre em clima de oração diante de Deus.

Três pontos para aprofundar este encontro de Jesus com o Pai:

Primeiro: A necessidade de orar frente a uma tomada de decisão. Jesus está assumindo, nada

menos, que a salvação de toda a humanidade. Está convicto de que, embora seja conduzido pelo Espírito,

não pode levar esta tarefa sozinho. Precisa de colaboradores. Não se trata apenas de escolher, mas

quem escolher. Como recebeu esta incumbência do Pai, é a Ele que também recorre neste

discernimento.

Segundo: A função para a qual os escolheu. Escolheu os Doze, deu-lhes o nome de Apóstolos

para conviver com Ele e ser enviados a pregar, com poder para expulsar demônios (Mc 3,14-15). A

convivência com Jesus é tempo de aprendizagem, tempo de aprender a ser discípulo para ser enviado.

Conviver com Jesus já é participar de sua missão.

Terceiro: A heterogeneidade do grupo. Nesta diversidade estava a unidade. Para além de

interesses pessoais, havia a disposição para sonhos comuns. No grupo está a raiz da comunidade

primitiva que, guiada pelo Espírito, chegou até nós através da sucessão apostólica. Da mesma forma que

os Doze, hoje também somos chamados, embora diversos, a somar com Jesus, comprometendo-nos com sua

pessoa e sua causa. Qual é o meu lugar?

Colóquio: Converso com Jesus que me fez tomar consciência da necessidade de ter sempre um

espaço para me encontrar com o Pai, principalmente nos momentos da vida que requerem mais atenção para

discernir, para tomar decisões.

Faço a revisão da oração e anoto o que foi mais importante.

6º dia

Repetição

Na oração de hoje terei presente o itinerário feito durante esta semana, cuja proposta era

acompanhar Jesus que caminha para o Pai, guiado pelo Espírito. Na preparação desta oração trata-se de

reler as anotações feitas e aprofundar os pontos que mais me chamaram a atenção ou que mais que

questionaram.

Colóquio: Com o coração agradecido, bendirei a Deus por esta semana, sobretudo, a partir daqueles

pontos que ficaram mais fortes.

Faço a revisão da oração e anoto o que foi mais importante. Faço também um resumo do que Deus mais

me falou nesta semana, para partilhar no meu grupo de Retiro Quaresmal.

TERCEIRA SEMANA

JERUSALÉM, QUANTAS VEZES QUIS REUNIR TEUS FILHOS!

Tema da semana: Um dos aspectos mais singelos da missão de Jesus foi a revelação de um Deus

misericordios